segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sociedade de Risco, Energias Limpas e Processo Legislativo

Caros amigos,

cada vez mais me impressiona o ritmo vertiginoso de nosso processo legislativo, principalmente no que diz respeito a medidas legais ambientais. Pelo que defende a doutrina profunda do direito ambiental e da teoria do desenvolvimento sustentável vivemos hoje num modelo de estado democrático que passou a ser denominado também de Estado da Sociedade de Risco, em razão da emergência em reverter o quadro das emissões de gás carbônico, das alterações climáticas, do caos urbano e de demais fatores de nosso modelo de desenvolvimento que precisam ser repensados. Existem diversas propostas técnicas e normativas para melhorarmos nossa qualidade ambiental e mantermos nosso ritmo de crescimento economico, procurando um equilíbrio interessante a ambos valores. Me parece apenas que o ritmo das discussões oficiais não é compatível com a necessidade de urgência, típica de qualquer política ambiental que se queira mostrar atual. Pensemos no seguinte fato. As energias alternativas (inclusas entre os chamados MDLs - Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) surgem como modelo alternativo às energias fósseis para reduzir os impactos ambientais da produção industrial. O cenário brasileiro é visto como dos mais promissores para a produção destas energias, principalmente as eólica e solar, e em alguns estados (como o Ceará, por exemplo) já há grandes investimentos no setor. O problema, mais uma vez, está na ausência de políticas públicas e amparo legal para investimentos e desenvolvimentos em energias limpas. Como poderá ser lido com maiores detalhes na matéria abaixo, a mais de um ano e meio corre no legislativo projeto de lei (denominado Lei de Renováveis) que, uma vez vigente, facilitará investimentos em energias sustentáveis por meio de isenções fiscais, facilitação de créditos e outros meios. Ou seja, o problema mais uma vez não é ausência de iniciativas, mas ausência de tino para a emergência de medidas como esta. Às vezes me deparo com notícias informando que o congresso tombou uma determinada comida como patrimônio cultural, uma dança como manifestação popular oficial, deu nacionalidade a alguma figurinha da mídia internacional e outras providências de "altíssima" relevância e urgência, e fico imaginando onde estarão os projetos que discutem a sustentabilidade ambiental e economica...

Para maiores detalhes, segue abaixo matéria divulgada pelo Greenpeace Brasil.


A revolução está na lei

Greenpeace põe no prédio do Congresso uma torre eólica para lembrar aos deputados que a Lei de Renováveis, esperando votação, garante o futuro limpo para o Brasil. O dia no Congresso Nacional em Brasília começou movimentado. Por volta das 9h ativistas do Greenpeace entraram em ação para pedir que os deputados federais votem o Projeto de Lei de Renováveis, paralisado desde o final de 2009 na Câmara Federal. Um grupo de dez pessoas  “plantou” uma torre eólica inflável de 25 metros ao lado da cúpula da Câmara Federal, onde se lia a frase “Energia limpa. Voto no futuro”. Por duas horas os ativistas se mantiveram sentados no local. Quatro pessoas ficaram detidas na Sede da Polícia Legislativa do Senado. Dois fotógrafos da imprensa foram agredidos.
A reação intempestiva dos seguranças é um contraponto às intenções do Greenpeace: promover um desenvolvimento limpo e pacífico do país. O Projeto de Lei 630/03, de autoria do deputado Fernando Ferro (PT-PE), mais conhecido como Lei de Renováveis, é considerado a semente de uma revolução energética capaz de garantir o futuro de nosso país.O texto espera há um ano e meio entrar na pauta de votação. “Que o projeto seja priorizado pelos parlamentares, e que eles compreendam seu potencial para incentivar um setor econômico verdadeiramente verde”, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace. No final da manhã, após a manifestação, ele protocolou o relatório “Revolução Energética”, estudo que mostra que um novo cenário energético baseado em fontes limpas é possível no Brasil. A proposta cria um ambiente seguro para encorajar investimentos em geração limpa como eólica, solar, pequenas centrais elétricas (PCHs) e usinas de cogeração a biomassa. Com sua aprovação, o Congresso dará início a um ciclo virtuoso capaz de colocar o Brasil em lugar de ponta no setor de energia do século 21. A Lei de Renováveis aloca subsídios para fontes de geração limpa e assegura a elas prioridade na ligação com a rede de distribuição de energia nacional.
Ela também amplia a quantidade de energia limpa comercializada no país e abre o caminho para a geração descentralizada, prevendo inclusive que brasileiros, individualmente, possam gerar energia em suas próprias casas e jogar o excedente na rede elétrica. Quando aprovada, a lei aumentará o volume de energia limpa na nossa matriz elétrica, empurrando para baixo o custo de geração para os consumidores e colocando o Brasil na vanguarda da luta contra o aquecimento global.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Gás Carbônico: Negócios e Direito

Poderá soar estranho o título desta postagem, afinal o que poderá relacionar o gás carbônico com negócios e ainda com a legislação ambiental. No site http://www.ecodesenvolvimento.org.br/ podemos encontrar uma calculadora de emissões de CO², algo aparentemente inútil. No entanto, aquece-se cada vez mais o chamado mercado de emissões de carbono, funcionando como uma espécie de bolsa de valores agregada ao condicionante ambiental. Neste mercado, empresas de diversos seguimentos de empreendimentos podem adquirir cotas de crédito para investir em projetos de sustentabilidade (denominados MDLs - mecanismos de desenvolvimento limpo), equilibrando os impactos ambientais de sua produção. Em resumo, bem resumido, o empresário investe em projetos de sustentabilidade à proporção de sua emissão de gás carbônico, melhorando sua imagem no mercado, desenvolvendo práticas sustentáveis, investindo em energias limpas, gerando novas oportunidades de negócios "verdes". Trata-se de prática surgida em decorrência da necessidade de diminuição da pegada ambiental dos empreendimentos industriais. Por consequencia natural, o sistema legal exerce influência em tal mercado, desde sua origem, pois resulta de tratados de direito internacional, até seu efetivo funcionamento, regulando as normas de funcionamento, as contratações, os licenciamentos dos empreendimentos limpos a serem realizados. Posteriormente trataremos com maior profundidade de análise deste mercado. Por enquanto, fiquemos com breve apresentação sobre o tema, abaixo:

"Mercado de Carbono

 
O Homem lança mais de 35,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano* na atmosfera, o principal gás causador do aquecimento global.  Para diminuir estes números, foram criados projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa.

Estes projetos, após serem avaliados segundo metodologias aprovadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), podem gerar créditos de carbono e serem utilizados por países desenvolvidos integrantes do Anexo 1 do Protocolo de Quioto para alcançar suas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa. O Protocolo de Quioto institui o mercado de carbono como um dos mecanismos para reduzir os custos no corte das emissões, assim como o Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Implementação Conjunta.

O mercado de carbono também existe fora do contexto de Quioto, com vários programas voluntários de redução das emissões, como os dos Estados Unidos. O mercado voluntário abre as portas para a inovação, já que não tem muitas regras pré-estabelecidas como no Protocolo de Quioto, e para projetos de menor escala que seriam inviáveis sob Quioto.

As negociações são guiadas pelas regras comuns de mercado, podendo ser efetuadas em bolsas, através de intermediários ou diretamente entre as partes interessadas. A convenção para a transação dos créditos é o CO2 equivalente.

Atualmente o comércio de crédito de carbono está movimentando a economia de grandes países. O Brasil, que já ocupou o primeiro lugar no ranking dos principais produtores de projetos, acabou perdendo o lugar para a China e a Índia. Esses dois países em conjunto com a Austrália, Coréia do Sul e Japão produzem quase metade dos gases causadores do aquecimento global.  Segundo especialistas, o potencial brasileiro é muito grande, existindo uma grande expectativa nesse novo mercado".

Texto destacado publicado por http://www.institutocarbonobrasil.org.br/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cumprimento de Lei ou Revogação e Substituição?

Mais uma vez nosso assunto é abordar notícia recente, desta vez envolvendo polêmica relacionada com os debates sobre o novo código florestal. Toda a discussão gira em torno dos interesses em questão e da enorme divergência entre ecologistas e a chamada bancada ruralista, formada por agropecuários, que, por opinião pessoal, às vezes parecem não saber coisa alguma sobre legislação ambiental. O código traz alguns pontos interessantes, uns bons outros considerados retrocessos no direito ambiental. Seja qual for o lado que estiver com razão a notícia abaixo nos faz refletir bastante, principalmente pelas contundentes perguntas que iniciam a findam a matéria. Leiam, pesquisem e tirem suas conclusões...

Publicado em http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/nossas-florestas-em-debate/blog/33229

“Será mesmo que precisamos de mais mata?”. A pergunta veio nesta quinta-feira de Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira. Foi durante um debate promovido pelo Canal Rural sobre as mudanças no Código Florestal propostas pelos ruralistas. Do outro lado da linha, o diretor de campanhas do Greenpeace, Sergio Leitão, dizia que, sim, precisamos de mais mata. E o porque disso nunca esteve tão claro: quanto menos árvores, menos proteção do solo e mais eventos climáticos extremos. “Quem perdeu com as enchentes do Rio de Janeiro foram os agricultores”, lembrou.
Em cerca de uma hora de debate, Leitão acabou encarando não só Ramalho, mas também João Batista Olivi, que deixou seu posto de mediador e saiu em franca defesa do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Os dois usaram o velho argumento de que as organizações ambientalistas querem inviabilizar a produção do país. Mas o diretor do Greenpeace tinha do seu lado a própria história da legislação: “O Código Florestal foi criado pelo Ministério da Agricultura. Não foi coisa de ambientalista. O Greenpeace nem existia na época”.
Enquanto o presidente da SRB falava com todas as letras que não precisamos de Reserva Legal e podemos flexibilizar as Áreas de Preservação Permanente (APPs), Leitão lembrava que a comunidade científica está indignada por não ter sido ouvida pelos ruralistas. E pediu bom senso: em vez de simplesmente derrubar a lei que protege nossas matas, a discussão deveria ser como cumpri-la. “Por que a gente vai fazer uma legislação que vai deixar a agricultura com visão de que quer destruir e não sabe crescer sem respeitar o meio ambiente?”. É a própria economia do país que sairia perdendo.